
Ontologia Social
Filosofia Social
Filosofia Social e Política
, com foco naontologia social
de categorias de gênero trans. Em outras palavras, investigo como as categorias sociais passam a existir e quais impactos elas têm na vida de pessoas trans. Atualmente, em minha tese doutoral, busco evidenciar estratégias de resistência à opressão trans em contextos não ideais, mobilizando um framework conferista.Uma das premissas dessa pesquisa é que categorias sociais são contextualmente variáveis. Uma leitora atenta, ao constatar isso, suspeitará que caracterizar o gênero desse modo coloca em risco a existência trans: se categorias sociais como o gênero dependem do contexto em que são instanciadas, os critérios de pertencimento a elas não são constantes. Logo, uma pessoa trans estará sujeita à categorização inadequada em ambientes hostis. Essa categorização imporá a essa pessoa um conjunto inadequado de restrições, o que configura opressão ôntica. Essa suspeita aponta para o problema que move minha investigação: como a engenharia conceitual de categorias de gênero pode evitar a opressão contra pessoas trans?
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Para Além do Gênero Decolonialidade e Espacialidade Interpessoal na Teoria de Bettcher
Para Além do Gênero
Na obra Beyond Personhood, Talia Mae Bettcher adota o pluralismo ontológico e a crítica decolonial de Lugones para desenvolver sua teoria da espacialidade interpessoal. Bettcher advoga a eliminação do sistema moderno colonial de gênero, que moldou as noções de sexo, gênero, pessoa, sujeito e self. Para Bettcher esse sistema é incapaz de explicar a opressão e phoria trans, colaborando assim com à perpetuação da violência a pessoas trans. Frente a esse problema, sua obra propõe uma compreensão de relações interpessoais centrada em sistemas de fronteiras que regulam as relações de proximidade, distância e intimidade. Essa compreensão denominada espacialidade interpessoal, substitui a noção de pessoa fundada na modernidade, por objetos interpessoais, que por sua vez são inerentemente relacionais e construídos por fronteiras de acesso manifestas através da auto apresentação. Ao priorizar o aspecto relacional da experiência social, esta teoria revela como a violação sistemática das fronteiras de acesso estrutura a opressão trans.
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Para além da Inclusão Caritativa A Ilegibilidade Trans como Mecanismo Social
Para além da Inclusão Caritativa
Cara leitora, aqui quem vos fala é alguém ilegível. Essa condição não se deve ao mero acaso; ela é sintomática de uma gramática social que visa traduzir existências em termos binários derivados de um biologismo mal fundamentado. Recentemente, essa condição – ser trans – tem motivado debates vigorosos na filosofia feminista voltados à inclusão, seja para endereçar urgências sociais ou para analisar hipóteses radicais não ancoradas na realidade. Dentre as perspectivas engajadas com problemas sociais, destaco neste texto abordagens centradas na melhoria conceitual (ameliorative approach).
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Ontologia Social Aplicada ao Armário A Objeção de Andler à Teoria Conferista de Ásta
Ontologia Social Aplicada ao Armário
Na filosofia analítica, precisamente na metafísica feminista, questões sobre a definição e fundação de categorias sociais são alvo de debate. Nessa subárea, formou-se um debate dividido entre teorias de posição social e teorias baseadas em identidade. Teorias de posição social entendem categorias sociais por meio de limitações e liberdades que são socialmente atreladas a um indivíduo. Por outro lado, teorias baseadas em identidade focam em experiências inerentes ao sujeito para responder essa questão. O presente texto centra-se em uma crítica realizada à teoria de posição social desenvolvida por Ásta. A crítica sugere uma incapacidade na categorização de identidades sexuais queer de indivíduos no armário, o que implica na sua exclusão sistemática de espaços queer. Na teoria de Ásta, categorias sociais são concebidas como sendo variáveis de acordo com o contexto onde a conferência delas ocorre. De acordo com Andler, esse modo de conceber categorias sociais leva a exclusão de pessoas com identidade sexual queer, pois pressupõe que o indivíduo apresente determinada orientação sexual para a conferência de determinada identidade sexual. Porém, como demonstrado neste texto, Ásta não postula a relação entre orientação sexual e identidade sexual como inerente ao processo de conferência.
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Forma sem conteúdo Uma interpretação possível da obra "()" de Sigur Rós
Forma sem conteúdo
O presente texto explora a dicotomia entre obra de arte e sua interpretação. Para tanto, faz-se uso da crítica à interpretação realizada no álbum "()" da banda Sigur Rós, da produção teórica de Susan Sontag e do aparato conceitual relativo à música absoluta. Na obra "()", a banda Sigur Rós pretende, por meio da ausência de referenciais alheios à própria música, manter o ouvinte em relação constante com ela, evitando assim o que Sontag denomina de interpretação moderna. De acordo com Sontag, a interpretação moderna consiste em uma negação da forma da obra de arte em prol de um foco estrito em seu conteúdo teórico, o que, de acordo com Sontag, consiste em um empecilho para a apreciação da obra de arte. Historicamente, o conceito de música absoluta designa um conjunto de produções musicais instrumentais que se pretendem completas por si mesmas; nota-se assim uma consonância anacrônica entre a produção de Sigur Rós e a música absoluta. Essa consonância permite que a obra "()" tenha seu sentido teórico aclarado, consequentemente se tornando facilmente compreendida por meio da crítica à interpretação de Sontag. Assim sendo, o presente texto defende que por meio da crítica de Sontag é possível aumentar o horizonte de sentido do álbum "()" de Sigur Rós.
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Para além da escrita
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Sou fundadora e coordenadora deste grupo de leitura e debate, este, por sua vez, aborda a interseção entre ontologia social e gênero. Sua fundação surgiu da constatação que os currículos dos cursos de graduação em Filosofia não abarcam adequadamente temáticas de gênero. Posto isso, essa iniciativa, busca auxiliar estudantes a formar um léxico básico para engajar-se criticamente com o tema. Atualmente, o grupo encontra-se vinculado institucionalmente à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Em encontros quinzenais, reúnem-se participantes de diversas universidades para estudar e debater.
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Este projeto busca consolidar um diretório aberto de mulheres filósofas brasileiras. Por meio dessa ação, espera-se estimular uma transformação na participação e permanencia de mulheres no cenário nacional da Filosofia acadêmica, cenário esse historicamente dominado por homens. O projeto conta com o apoio da FAPERGS e da UFSM, atuo neste como desenvolvedora da plataforma online e integrante da equipe de organização.
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Este projeto busca consolidar um núcleo de estudos filosóficos voltado ao combate à opressão em contextos sociais. Nesse grupo, atuo como pesquisadora e designer.